32 anos “longe” da minha mãe, como eu superei.
Ontem numa conversa muito profunda com a minha irmã ela me perguntou: “Drika, como você conseguiu viver sem a sua mãe?”
Pra te contextualizar, minha irmã e eu temos mães diferentes! Por isso ela me fez essa pergunta!
Estamos passando por um período difícil com a saúde do meu pai, e por isso temos olhado para dimensões muito profundas nas nossas vidas nesse momento.
Quando ela me perguntou isso ontem, dentre MIL coisas que passaram no meu coração numa fração de segundo, a primeira resposta que pude verbalizar foi: eu consegui porque você chegou!
Minha mãe faleceu no dia 16 de abril de 1994, e meu pai casou com a mãe da minha irmã em agosto desse mesmo ano! Para muitos foi insanidade. Pra mim foi salvação! Minha irmã e minha madrasta trouxeram luz para onde só havia dor e tristeza.
Numa tarde comum, em que estávamos apenas eu e minha mãe em casa, ela passou mal e precisei chamar meu pai. Eu passei uma hora ao lado da minha mãe inconsciente, tendo um aneurisma cerebral. Eu tinha 10 anos. Ela passou um mês no hospital. Minha mãe era uma pisciana incrível! Brincalhona. Leve. Extremamente conectada com a espiritualidade e causas beneficentes. Mãe amorosa. Dona de casa dedicada. Uma esposa incrível. Todo mundo amava minha mãe! Lá no Ipiranga, até hoje os vizinhos me param na rua e falam do quanto a Marisa era especial!
Enfim, nesse período de hospitalização ela se recuperou! Fez uma cirurgia bem rara e delicada na época. E estava indo muito bem! Nesse período eu passava os dias com meus avós paternos, que cuidavam de mim com todo o amor desse universo! Eu voltava à noite com meu pai para casa, e o mês de março, abril de 94 foi rolando assim. Eu a cada dia esperando o momento que enfim minha mãe voltaria para casa. Eu tinha certeza absoluta que ela voltaria!
No dia 15 – há exatos 32 anos de hoje – ela sofreu um novo aneurisma. E como consequência, teve morte cerebral.
Eu era uma criança muito antenada. Assistia muitos documentários médicos com meus pais. Eu entendia bastante coisa para uma criança de 10 anos.
Nessa noite meu pai chegou na minha vó, eu toda serelepe e feliz em vê-lo, quando provavelmente ele precisou passar pelo momento mais difícil da vida dele. E me disse: “filha, sua mãe provavelmente não vai voltar.” Eu perguntei o porquê… daí ele me deu o contexto real. Eu desabei. E eu lembro desse instante com todos os detalhes, como se fosse hoje. Eu chorei pela primeira vez nesse período. Naquele momento o meu mundo acabou. Completamente. Meu pai e meus avós tentaram me consolar de todas as formas. Infelizmente eles não conseguiram. Naquela madrugada eu acordei com muita tremedeira, e minha vó que era médium sabia – minha mãe partira naquele momento. Pela manhã minha madrinha chegou e me contou que de fato ela tinha partido. Eu desabei mais uma vez. Ser de família espirita nesse momento trouxe minimamente o consolo do reencontro, da vida eterna, e de que alguma forma estaríamos juntas. Mas a dor, meus queridos, a dor era devastadora.
Os meses seguiram, meus avós me amando incondicionalmente, meu pai também, apesar de estar destruído. Mas minha vida não tinha cor, nenhuma. E daí minha madrasta chegou! Minha irmã na época tinha 6 anos! Eu morria de ciúmes dela! Mas nesse dia, as cores voltaram! A vida continuaria um caos por alguns anos rsrsrsrs, a convivência do meu pai e da minha madrasta era caótica! Mas havia amor! Havia vida! Uma vida bem mais intensa! E isso me trazia alegria! Muita alegria! Era um reencontro de outras vidas, com certeza!
Portanto, quando minha irmã me perguntou pontualmente ontem, como eu sobrevivi sem a minha mãe, na minha carne ainda existem essas dores e memórias e saudade. Mas eu não preciso parar pra pensar nem por um segundo o quanto Deus me abençoou trazendo minha irmã e minha madrasta! Quase que imediatamente!
Eu sobrevivi porque eu precisava viver!
Eu sobrevivi porque minha mãe tinha me deixado aqui para seguir!
E eu estou aqui hoje, depois de 32 anos te contando essa historia com tantos detalhes porque, meu querido e minha querida, eu sei que na sua vida também houveram muitas tempestades. Raios e trovões que ainda assombram seu coração. Que você tenta superar e entender. E eu me compadeço com a sua dor, porque como humana, também tenho as minhas!
Mas eu aprendi que a vida é assim! E a gente precisa ser feliz!
Faz um tempo que eu estava numa caminhada, sentindo MUITA saudade da minha mãe, quando eu olhei para o céu e perguntei: “Mãe, onde você esta?” E IMEDIATAMENTE uma voz falou no meu ouvido: eu estou no seu coração!
E eu sei disso! Sei e sinto, do fundo do meu coração!!!!!
Foi minha mãe que apareceu nos meus Registros Akashicos quando pedi ajuda para criar o Hoje Eu Me Sinto;
Foi minha mãe que me resgatou em momentos desesperados de oração;
Minha mãe trouxe uma psicografia maravilhosa contando com ela está bem;
Eu tive o privilégio não muito tempo atrás de sonhar com ela e ver a cidade espiritual que ela mora, cheia de lojinhas de rua rsrsrsrs!
Ter esse respaldo espiritual e terapêutico me faz ver e viver a vida de uma forma absolutamente grata e elevada!
Sim, ainda sinto dor e saudade! Mas eu posso reconhecer que Deus me cuida e me acolhe através das pessoas que eu amo!
E eu desejo do fundo do meu coração que esse e-mail não tenha te trazido dor, mas sim esperança, e um pedido para que você busque o seu bem-estar!
Um beijo
Gratidão por fazer parte da minha vida!
Dri

