Ana Carolina jurava que toda mãe era melhor do que ela, e sofria com isso. Toda esposa, toda profissional, todas eram ótimas… ela não.
Todas as manhãs, Ana acordava e rezava: “que o dia de hoje seja leve, que eu consiga ser luz”
Era uma oração quase que como a música da Luciana Mello “hoje eu só quero que o dia termine bem!”
Mas Ana Carolina falhava. Não completamente. Não realmente. Mas falhava no compromisso que tinha consigo. Falhava em ser como seu coração pedia, mas o corpo não acompanhava…
Suas manhãs eram corridas. Entre um beijo e um abraço de despedida para a escola, tinha um grito e uma bronca por alguma desobediência… alguma malcriação.
Ana Carolina corria para o trabalho. Tinha uma equipe de 6 pessoas para gerenciar. Um chefe que não tinha muita empatia, e uma sensação de sempre estar devendo. Fazia seu melhor, mas as vezes a preguiça ganhava. Ela acabava optando por uma ação ou outra medíocre. Seu coração desejava o melhor, mas o corpo não acompanhava.
Chegando do trabalho, as crianças a recebiam com um abraço, seu marido também. Era bom, e era ruim ao mesmo tempo… ainda havia tanto trabalho a ser feito em casa, com as crianças… Ana Carolina não queria ver a vida como trabalho, o casamento como trabalho, os filhos como trabalho… o coração sabia que havia uma outra forma de viver, mas o corpo não acompanhava.
Hora do banho, da janta, da cama. Ana Carolina tinha 29 livros de história, queria ler para as crianças, mas o corpo não acompanhava. As crias faziam manha, gritavam, Ana dava um beijo, entre uma bronca e outra, e ia deitar exausta. Com culpa. Desejando que um dia ela conseguisse ser uma pessoa melhor.
Naquela noite Ana Carolina teve um insight. Ela entendeu o significado de “só conseguir dar amor se antes for capaz de se oferecer amor”… era isso! Ela não sabia na verdade como se dar amor na prática, mas em vez de culpa e crítica, naquela noite… algo dentro do seu coração a chamava para um outro tom, era um tom de amor, de carinho, de aconchego.
Ana Carolina se levantou, deu um beijo em seus filhos que dormiam, fez uma oração… pediu perdão em silêncio, um perdão espiritual. Desta vez não houve promessa, nem desejo de esperar por um dia perfeito, havia apenas presença… e gratidão!
Ana Carolina amanheceu amorosa. Amorosa consigo. Presente. Presente em sua xícara de café, no abraço com as crianças, com o marido. Presente na instrução mais imperativa para que os filhos fizessem o que precisava ser feito. Estava presente, realmente presente na despedida para a escola. Estava presente no seu trabalho, sendo luz! Sendo luz para a equipe, para seu chefe… sendo luz porque estar bem simplesmente era melhor do que estar mal! Ana Carolina tinha entendido a essência da promessa que se fazia, repetidamente, diariamente, durante todos esses anos! Na verdade era sua Alma ecoando: “querida, não é sobre o que a gente faz, mas como a gente faz! Estar na vida é estar viva! E estar viva é bom, simplesmente bom! Porém… só podemos sentir isso com presença… e gratidão!”
Que a gente possa viver, com presença e gratidão!
Um beijo,
Dri



